"Isolamento social é uma epidemia em crescimento, e traz consequências
físicas, mentais e emocionais"
No Brasil, não há pesquisa que avalie o
número de pessoas que sentem-se solitárias, mas temos aqui uma pista: o
número de brasileiros que vive sozinho tem aumentado, com quase 7
milhões de lares com apenas um ocupante, segundo o senso de 2010. O
senso de 2000 apontava apenas 4,1 milhões.
Já pesquisas realizadas nos EUA mostram que o número de adultos que
se dizem solitários aumentou de 20% em 1980 para 40% atualmente. Um
terço da população com mais de 65 anos vive sozinha, sendo que essa
proporção aumenta para metade para os que têm mais de 85 anos. As
pessoas com menor nível educacional são as mais propensas a não terem
alguém para discutir assuntos importantes.
Consequências
Uma
onda de pesquisas recentes mostram que a separação social traz
consequências sérias como sono de pior qualidade, sistema imunológico
alterado, mais inflamação e maiores níveis de hormônios de estresse. Um
estudo realizado por pesquisadores da Universidade de York (Reino Unido)
mostra que a isolação aumenta o risco de doenças cardíacas em 29% e
derrame em 32%.
Uma meta-análise que revisou dados de 70 estudos incluindo 3,4
milhões de pessoas concluiu que indivíduos isolados têm 30% mais chance
de morrerem nos próximos sete anos. Este efeito foi mais observado em
pessoas de meia idade.
A solidão pode acelerar o declínio cognitivo em idosos e indivíduos
jovens são duas vezes mais propensos a morrer prematuramente. Esses
efeitos começam cedo: crianças isoladas apresentam saúde
significantemente pior 20 anos depois, mesmo levando em consideração
outros fatores.
Solidão é tão perigosa quanto fumar
Em outras palavras, a solidão é um fator de risco tão importante
quando a obesidade ou fumar. Mas é um problema muito mais abstrato e
quem sofre com ele sente grande dificuldade em admiti-lo. Para muitos,
fazer isso significa admitir fracasso de vida. Por isso, as pessoas
solitárias sentem têm dificuldade em pedir ajuda.
Por que são solitários?
Pesquisas
sugerem que a solidão não é necessariamente resultado de habilidades
sociais ruins ou falta de apoio da família, mas pode ser causado por uma
sensibilidade incomum para pistas sociais. As pessoas solitárias têm
mais chances de interpretar pistas sociais ambíguas como negativas,
entrando em um estado mental de autopreservação, o que piora o problema.
O
professor de psicologia John Cacioppo, da Universidade de Chicago
(EUA), testou vários tipos de tratamento para a solidão, e concluiu que a
mais eficaz foca na má adaptação da cognição social. Ou seja, em ajudar
as pessoas a reexaminarem como interagem com outros e como percebem as
pistas sociais.
Idosos
Já entre idosos, o processo pode ser um pouco diferente. É frequente
encontrar pessoas de idade que já perderam membros da família ou amigos,
ou simplesmente foram deixados de lado pelos parentes mais jovens. Um
idoso define essa triste fase como “é como se o mundo morresse antes de
você”.
Por
isso é importante que os municípios forneçam atividades em grupos para
idosos e que ofereçam acesso fácil e grátis ao transporte público.
Idosos religiosos devem ser encorajados a continuar frequentando seus
grupos, enquanto aqueles que são capazes de cuidar de animais de
estimação podem sentir menos solidão com um bichinho fazendo companhia.
Programas mais estruturados têm surgido em países como Japão, Suécia e
Estados Unidos, em que o contato entre gerações é incentivado. No
Japão, algumas cidades contam com lares de idosos que também funcionam
como creches. Assim, as crianças recebem atenção de vários avozinhos e
vice-versa.
Já nos estados Unidos, há um programa chamado linkAges que promove a
troca de serviços entre as gerações, como aulas de violão ou uma carona
até o médico. Um aluno de universidade, por exemplo, pode ver o anúncio
de um idoso que precisa de ajuda com o jardim. Ele ajuda por duas horas,
e fica com esse tempo como crédito, que depois pode ser trocado por um
jantar feito por um chefe aposentado. Sentir-se útil e parte da comunidade faz toda a diferença. Fonte: nytimes.com / http://hypescience.com
O vídeo a seguir vem mostrar os perigos da solidão para a saúde física e mental:
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