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Termômetro Digital Infravermelho Prejudica o Cérebro?


"Publicações compartilhadas mais de 5 mil vezes em redes sociais asseguram que o termômetro infravermelho, amplamente utilizado em espaços públicos em meio à pandemia de COVID-19, pode danificar a glândula pineal, localizada no cérebro"

Isto é falso, como indicaram pesquisadores em neurociência. Além disso, este tipo de termômetro não emite radiação infravermelha, mas capta os espectros emitidos pelo corpo.

Todas as publicações identificadas começam da mesma maneira: alertando contra os supostos riscos dos termômetros infravermelhos por meio do “relato de uma enfermeira australiana”.

Como um dos sintomas da COVID-19 é a febre, durante a pandemia, supermercados, centros comerciais, aeroportos, hospitais e outros locais públicos passaram a controlar a temperatura corporal das pessoas com termômetros em forma de pistola, sem que seja necessário o contato direto.

De acordo com o suposto testemunho, largamente compartilhado no Facebook, Twitter e YouTube, medir a temperatura utilizando este tipo de termômetro poderia colocar em risco a glândula pineal, localizada no cérebro.
Mas, a alegação, também enviada ao WhatsApp é falsa: a Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde da França (ANSM)  indicou que o indivíduo testado não é, de forma alguma, submetido a uma exposição à radiação infravermelha durante a medição da temperatura.

O mesmo foi explicado por acadêmicos do Departamento de Tecnologia Médica da Universidade do Chile: O que o sensor [do termômetro] faz é medir a radiação eletromagnética [emitida pelo usuário], no momento em que foram consultados sobre uma outra desinformação que assegurava que estes dispositivos provocavam danos oftalmológicos.

O termômetro capta, portanto, os espectros infravermelhos emitidos pelo corpo humano por meio de uma lente em um sensor. De acordo com o comprimento das ondas de radiação recebidas, ele exibe uma temperatura mais, ou menos, alta.

Além disso, mesmo se os raios infravermelhos fossem direcionados contra esta glândula, ela está localizada muito profundamente no cérebro para ser atingida. A luz tem uma capacidade muito fraca de penetração da barreira constituída pelo crânio, mesmo se os comprimentos de ondas infravermelhas penetram com maior facilidade. Seria necessário cruzar completamente a caixa craniana para atingir essa pequena glândula situada no fundo do cérebro.

A glândula pineal, ou epífise, é uma pequena glândula de cerca de 8 milímetros que secreta a melatonina, um hormônio envolvido no ritmo circadiano, ou seja, na alternância entre as fases de sono e de despertar [dia-noite].

São as células da retina que detectam a luz e transmitem as informações a um certo número de pontos no cérebro antes de chegar à glândula pineal. É esse processo que permite ativar a secreção de melatonina durante a noite.

Não há, além disso, evidências de que o termômetro infravermelho cause danos a qualquer tecido do corpo humano.

Até onde temos conhecimento, não há nenhuma pesquisa que demonstre que este tipo de dispositivos de recepção de infravermelhos gerem danos, nem neurológicos, nem em qualquer outro tecido do corpo humano.

Após consultar a biblioteca médica digital Pubmed, María Vaccarezz, neurologista infantil do Hospital Italiano de Buenos Aires procurada para a verificação anterior, afirmou não ter encontrado nada sobre nenhum efeito adverso [provocado pelos termômetros infravermelhos] ou sobre a causa de qualquer complicação, sequela, ou dano.

Não há nenhuma pesquisa [que alerte para efeitos adversos destes termômetros]. É preciso sempre olhar os artigos médicos para estas questões, e não se guiar por rumores que circulam, sinalizando que estes aparelhos são utilizados para medir a temperatura de quem entra no hospital onde trabalha.

A origem do rumor sobre o efeito do termômetro contra a glândula pineal “vem do fato de que, nos répteis e pássaros, esta glândula fica efetivamente logo abaixo do crânio e contém células fotossensíveis (e, portanto, sensíveis à luz do espectro visível e infravermelho)”. Mas, este não é caso dos mamíferos.

Alguns destes termômetros infravermelhos utilizam, ainda, um apontador de laser, uma pequena luz que não é composta por radiação infravermelha e que serve para direcionar o termômetro para a parte do corpo cuja temperatura se deseja medir. Mas sua potência é baixa e existem avisos para não olhar para o feixe.

A agência de saúde declarou, ainda, não ter recebido nenhum relato sobre problemas ligados à utilização deste tipo de termômetro e que não há fundamento para os riscos associados ao seu uso.

Em resumo, é falso que os termômetros infravermelhos amplamente utilizados durante a pandemia de COVID-19 possam danificar a glândula pineal. Como explicaram múltiplos especialistas em neurociência, estes termômetros não emitem radiação infravermelha quando estão sendo utilizados e esta glândula está localizada muito profundamente no cérebro para ser atingida. Fonte: https://checamos.afp.com

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